Anatomia e Fisiologia do Periodonto ( por Suzymille Sandes)

Periodontia é a área odontológica que estuda as estruturas periféricas aos dentes naturais ou não, servindo para inserir os dentes aos ossos maxilares e manter a integridade da mucosa mastigatória. Em nível clínico, visa promover saúde por meio de procedimentos como: diagnósticos, prognósticos, tratamentos curativos e principalmente procedimentos preventivos.

O periodonto tem como principal função inserir o dente no tecido ósseo dos maxilares e manter a integridade da superfície da mucosa masdtigatória da cavidade oral. Ele forma uma unidade de desnvolvimento biológica e funcional, que sofre determinadas alterações com a idade e, alem disso, está sujeito a alterações morfologicas relacionadas a modificações funcionais e no meio bucal.

O periodonto é classificado em:

  • Periodonto de proteção – gengivas;
  • Periodonto de sustentação ou inserção – osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

Periodonto de proteção: é formado pelas gengivas (gengiva marginal, gengiva inserida e gengiva interdentária). A gengiva é a parte da mucosa mastigatória que cobre o processo alveolar e circunda a porção cervical dos dentes. Ela consiste de uma camada epitelial e um tecido conjuntivo subjacente, chamado lâmina própria.

  • Gengiva marginal – também chamada de gengiva livre, é aquela que está na margem dos tecidos gengivais, cobre em torno de 0,5mm a junção amelocementária. Seu limite externo é a ranhura gengival e seu limite interno é dentro do sulco gengival (no fim do sulco). A partir daí começa o espaço biológico (2,04mm) (onde ocorre a adesão inicial da gengiva ao dente). Já a face externa da gengiva livre é o epitélio oral interno que normalmente é paraqueratinizado; e sua face interna é no sulco, por isso também é chamada sulcular, que é um epitélio não queratinizado, mas que é passível de queratinização. Ainda há a área de transição entre as faces interna e externa, que é a chamada crista marginal, que deve ser delgada e fina. A silhueta da margem gengival acompanha a linha de colo oscilando entre curvas parabólicas côncavas e a papila interdental.

Sulco gengival – resulta da falta de aderência da gengiva marginal. É onde inicia os processos patológicos e não deve ser invadido, pois é um sítio crítico para reter biofilme e causar doenças periodontais. Quanto mais raso for o sulco, melhor é, já que há menos chance de haver retenção de biofilme. O sulco gengival tem duas paredes, sendo uma parede mole, que corresponde a face interna da gengiva marginal; e uma parede dura, que corresponde ao dente. Sua profundidade varia com a metodologia de sondagem, há a profundidade histológica, que é a real e corresponde a aproximadamente 0,69mm (geralmente arredonda-se para 0,5mm para não haver risco de invasão do espaço biológico); e há ainda a profundidade clínica, que corresponde a até 2mm nas faces livres e até 3mm nas faces proximais (devido a altura das papilas). A gengiva marginal é um pouco mais lisa que a gengiva inserida, que tem aspecto de casca de laranja.

Curvas parabólicas e zênite gengival – as curvas parabólicas sempre serão cônicas em relação a coroa e em sua extremidade mais alta está o chamado zênite gengival (topo). As curvas dos incisivos centrais devem estar na mesma altura das curvas parabólicas dos caninos, já as curvas parabólicas dos incisivos laterais devem estar 2mm abaixo das curvas dos centrais. Nos incisivos laterais o zênite gengival coincide com o centro da curva parabólica, já no caso dos incisivos centrais e caninos, os zênites são mais distalizados. Vale lembrar que a margem do lábio superior, durante o sorriso, deve encobrir a gengiva inserida dos incisivos centrais, já no caso dos incisivos laterais ela pode ser mostrada e no caso dos caninos pode ser mostrada levemente.

  • Gengiva inserida – localiza-se imediatamente apicalmente a gengiva marginal. Tem início na ranhura gengival (limite coronário) e termina na linha mucogengival (limite apical – marco anatômico para começar o fundo de vestíbulo). Está inserida principalmente ao periósteo do osso alveolar através de fibras do tecido conjuntivo. A gengiva inserida se confunde com a mucosa queratinizada do palato. Sua textura é uma superfície pontilhada, com aspecto de casaca de laranja, de pigmentação rosa-pálida (devido ao epitélio que é queratinizado e também ao conjuntivo, devido a pouca vascularização, e os vasos sanguineos são opacificados). Sua consistência é firme, uma vez que está inserida ao periósteo e ela é resiliente, ou seja, deforma quando comprimida, mas volta a sua forma normal imediatamente após ser retirada a força de compressão. A gengiva inserida não tem uma medida padrão e nem é constante, pois normalmente cresce com o tempo, mas nos dentes anteriores sua extensão é maior que nos posteriores (há menos osso alveolar para que a gengiva se insira).

A gengiva é fixa, inserida em osso, não tem mobilidade (a mobilidade existe na mucosa, que é mais avermelhada porque o epitélio é mais delgado e reflete os vasos sanguineos do conjuntivo subjacente). No epitélio gengival há as interdigitações dérmicas (ou papilas dérmicas), que servem para que haja um maior contato com o conjuntivo e para que todas as células sejam nutridas, dando também o aspecto de casa de laranja.

Espaço biológico – é constituído pelo epitélio juncional e inserção conjuntiva. O epitélio juncional é ligado ao dente por hemidesmossomas e geralmente mede 0,97mm; já a inserção conjuntiva é ligada ao dente através de fibras colágenas, o que lhe confere uma fixação bem maior e geralmente mede 1,07mm. Logo, o espaço biológico mede 2,04mm.

  • Gengiva interdentária – é a papila interdental, que preenche as ameias interdentárias. É constituída de gengiva marginal (há sulco gengival que, clinicamente, pode medir até 3mm) e gengiva inserida. O formato da papila é piramidal nos anteriores e em formato de sela nos posteriores (mais achatadas no sentido vestibulolingual). Há ainda o “col gengival” que é a depressão entre as papilas e está presente nas areas entre pré-molares e molares, de foma as papilas interdentárias nessas áreas possuem uma porção vestibular e uma porção palatina/lingual separadas pelo col gengival.. Há cerca de 1mm entre o contato proximal e a extremidade de gengiva.

Classificação do freio labial de acordo com sua inserção:

  • Inserção mucosa;
  • Inserção gengival;
  • Inserção papilar;
  • Inserção interdentária;

Espaço biológico: situado entre o fundo de sulco gengival e o osso alveolar.

  • Epitélio juncional – 0,97mm;
  • Inserção conjuntiva – 1,07mm;

Revestimentos epiteliais das gengivas: epitélio pavimentoso estratificado paraqueratinizado.

Células:

  • Queratócitos (predominam mesmo que o epitélio não seja queratinizado);
  • Melanócitos (responsável pela produção de melanina);
  • Células de Langerhans (participam de reações imunológicas, fagocitando Ag, degradando-os e apresentando-os aos linfócitos T);
  • Células de Merkel (sua função está ligada à sensibilidade à pressão);

Distribuição topográfica:

  • Gengiva inserida – epitelio paraqueratinizado;
  • Face externa da gengiva marginal – epitelio paraqueratinizado;
  • Face interna da gengiva ,arginal – epitelio não queratinizado, mas passível de queratinização;
  • Epitelio juncional – epitelio não queratinizado;
  • Col gengival – epitelio não queratinizado.

Epitélio juncional: possui de 10 a 20 camadas de células, não é queratinizado, suas células aumentam de número com o tempo. É mais largo na região da coroa e torna-se mais estreito em direção à junção amelo-cementária.

Inserção conjuntiva: localizada apicalmente ao epitélio juncional.

É composta das fibras gengivais:  Vide post sobre Fibras Gengivais clicando aqui
(Dento gengivais – crista gengival, que é em direção à margem gengival, projetam-se em forma de leque na direção do tecido gengival livre das superficies V, L e interproximal, estao embutidas no cemento da porção supralveolar da raiz);
Superfície Externa, que são perpendiculares ao eixo axial do dente; e as Periosteais, que fazem a trajetória em sentido apical sobre a crista óssea, V e L, para terminarem na gengiva aderida); há tambem as fibras circulares (aproximam a gengiva do dente, estao dispostas na gengiva livre e cirundam o dente em forma de anel); e as fibras transeptais (são vestibulo-linguais e mesio-distais e seguem um trajeto retilíneo sobre o septo interdentário e estao inseridas no cemento dos dentes adjacentes). As fibras gengivais e periodontais se une formando um plexo, mas quando o dente é afastado as fibras diminuem essa união. As células se encontram embutidas numa matriz, que é produzida principalmente pelos fibroblastos, tendo como principais componentes macromoléculas de hidratos de carbono (proteoglicanas) e proteinas (glicoprotenas).

Periodonto de sustentação ou inserção: é formado pelo ligamento periodontal, osso alveolar e cemento.

  • Ligamento periodontal – é um tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e celular, que circunda as raízes dos dentes e une o cemento radicular à lâmina dura ou ao osso alveolar propriamente dito. Em direção coronária ele é contínuo com a lâmina própria. O espaço do ligamento periodontal é o espaço compreendido entre raiz e osso alveolar, tambem chamado de espaço pericementário, onde há o LP, nervos, substância fundamental amorfa e células; tem forma de ampulheta e é mais estreito no nível do terço me´dio da raiz. A presença desse ligamento permite que forças produzidas durante a função mastigatória e outros contatos dentários sejam distribuidas e absorvidas pelo processo alveolar através do osso propriamente dito. Além disso, o LP também é essencial para a mobilidade dos dentes. O dente é unido aos osso por feixes de fibras colágenas que são divididas em: fibras da crista alveolar, fibras horizontais, fibras oblíquas, fibras apicais e fibras furcais. As fibras da crista alveolar impedem a extrusão dentária, ou seja, que o dente saia da boca. Já as fibras apicais e furcais impedem que o dente permaneça numa intrusão, dando sinal para que a musculatura haja. Lembrando que as fibras furcais só existem nos dentes multirradiculares. Outras fibras são as de Sharpey (estão mergulhadas no cemento e osso) e tambem os plexos (participam da erupção). As células presentes são fibroblastos, cementoblastos, osteoblastos, osteoclastos, macrófagos tissulares e os restos epiteliais de malassez. As fibras apicais são mais resistente as forças no sentida axial.
  • Osso alveolar – é a porção da maxila e da mandíbula que formam os alvéolos dos dentes e dão suporte a esses alvéolos. Desenvolve-se em associação om o desenvolvimento e a erupção dentária. O osso pode ser dividido em: osso compacto (osso alveolar propriamente dito, tambem chamado de lâmina dura, reveste o alvéolo e possuem canais por onde passam vasos sanguineos, linfáticos e fibras nervosas para o LP); e osso esponjoso (preenche as áreas entre os alvéolos e entre as paredes de osso compacto, ocupando a maior parte dos septos interdentais, esse osso contém trabéculas ósseas). No lado vestibular, o osso pode estar ausente na porção coronal das raízes formando o que se chama de deiscência, já quando há uma porção óssea na porção mais coronária dessa área, o defeito é chamado de fenestração. O osso ainda pode ser dividido em: osso mineralizado (chamado osso lamelar, pois possui lamelas) e osso medular (contem adipócitos, estruturas vasculares e células mesenquimais indiferenciadas). O osso alveolar renova-se constantemente em resposta às demandas funcionais. Durante esse processo de remodelação, as trabéculas ósseos são reabsorvidas e neoformadas. Fibras colágenas do LP se inserem no osso mineralizado que reveste a parede do alvéolo dentário.
  • Cemento – é um tecido mineralizado especializado que reveste as superfícies radiculares e, ocasionalmente, pequenas porções das coroas dos dentes. Não contém vasos sanguíneos e linfáticos, não tem inervação, não sofre remodelação, mas é formado continuamente ao longo da vida. Há 4 tipos de cemento: afibrilar, fibrilar, acelular e celular. As células responsáveis pelo crescimento cementário só estão presentes no terço apical.

Junção amelo-cementária: 5 a 10% possuem dentina exposta, 30% tem uma união topo a topo e 60 a 65% possui cemento sobreposto. Para se ter retração gengival é necessário que a junção amelo-cementária esteja exposta.

Orifícios da superfície radicular: forame apical, canais acessórios e canalículos dentinários.

Direção dos vasos sanguineos nos tecidos periodontais: sempre no sentido vertical.

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2 thoughts on “Anatomia e Fisiologia do Periodonto ( por Suzymille Sandes)

  1. Mylane Lins 21/02/2012 / 13:13

    Corrigindo o espaço Biológico mede cerca de 2,04mm.

  2. Danyelle 26/10/2012 / 20:07

    Perfeito

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