Introdução ao estudo da Prótese Parcial Removível ( Revisado)

PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL

 

Introdução ao estudo da Prótese Parcial Removível (por Suzymille Sandes)

 

Prótese é um artifício utilizado para repor uma parte perdida do corpo.

Prótese dentaria é a arte dental, ciência que trabalha com a reposição de tecidos orais visando restaurar e manter a forma, função, aparência e saúde oral.

Prótese parcial removível é a área da prótese destinada ao estudo da reposição dos dentes perdidos parcialmente e tecidos adjacentes através de uma prótese planejada para ser removida pelo individuo.

As próteses dentárias podem ser sustentadas por:

  1. Dentes (prótese fixa)
  2. Rebordo residual (prótese total)
  3. Implantes (prótese sobre implantes)
  4. combinação de ambos (prótese removível)

Tratamento de pacientes parcialmente edêntulos – fatores que contra indicam outra terapias (mas a PPR pode ser usada nesses casos):

  • anatomia local desfavorável (*comprimento do espaço edêntulo e *perda dos tecidos de suporte);
  • doenças sistêmicas descontroladas; (diabéticos descompensados e pacientes hipertensos)
  • altas dosagens de radiação (devido a osteorradionecrose, fazendo com que seja difícil a cicatrização óssea);
  • risco cirúrgico extremo;
  • fatores financeiros;
  • fatores comportamentais.

Fundamentos da terapia com prótese parcial removível:

  • preservação ou melhora da fonética;
  • estabilização ou aumento da eficiência mastigatória;
  • estabilização das relações dentarias;
  • melhora da estética.

Indicações da terapia com PPR:

  • área edêntula longa (quando há perda dental acentuada; a fibromucosa tem importância fundamental pois serve para sustentação da prótese na boca);
  • ausência de pilar dentário posterior ao espaço edêntulo (as forças de torque – que tendem a rodar ou virar objetos – são prejudiciais e levam a reabsorção óssea, mobilidade dentaria e falhas na restauração);
  • dentes periodontais com suporte reduzido;
  • rebordo residual com perda óssea excessiva;
  • considerações estéticas (quando há perda de suporte do lábio superior);
  • necessidade imediata de repor dentes extraídos (prótese parcial removível é aquela planejada para melhorar a estética até que uma forma definitiva de tratamento possa ser confeccionada).

Termos relacionados:

  • Pilar – é qualquer dente ou implante dental que suporta a prótese;
  • Retentor – é o dispositivo da prótese que prende a prótese ao pilar.

Logo, o PILAR está na boca do paciente, enquanto o RETENTOR está na prótese.

Retentores em PPR: a ação retentiva se dá por um efeito mecânico e esses retentores podem ser extracoronarios ou intracoronarios.

  1. Retentores extracoronários: são os chamados grampos, que possuem flexibilidade nos chamados braços de retenção, logo, a retenção se dá através de flexão. Os grampos são estruturas de metal que se posicionam sobre a superfície de uma coroa clinica. Eles possuem um braço de retenção e um de oposição. O de retenção está localizado uma área retentiva da coroa clínica e resiste ao deslocamento da prótese em direção oposta aos tecidos subjacentes moles e duros; já o braço de oposição está localizado em uma área não retentiva e serve como abraçamento ou elementos de estabilização para a prótese; os dois braços formam o retentor extracoronário. Caso só houvesse o braço de retenção, a força de pressão seria implantada na raiz e levaria a reabsorção.

Partes do grampo: braço de retenção, braço de oposição, apoio e corpo. (O braço de retenção desce abaixo do equador protético, que é a linha imaginária que divide áreas expulsivas de áreas retentivas). Na maioria das vezes o braço de retenção fica na vestibular e o de oposição fina lingual. O braço de oposição neutraliza o de retenção.

  1. Retentores intracoronários: está dentro dos contornos da coroa clínica, logo o uso deste tipo de retentor requer a fabricação de coroas. Para a retenção são utilizados encaixes, logo, requer um exato paralelismo dos sistemas de retenção (componestes – fêmea e macho); a retenção ocorre por atrito entre as paredes externas do componente macho e as paredes do componente fêmea. Na maioria das vezes os encaixes ficam nas extremidades e é necessário que o dente seja tratado endodonticamente.

Estrutura de funcionamento de uma PPR: o funcionamento se dá através de fatores biológicos e mecânicos.

Componentes biológicos de uma PPR – dente, rebordo, osso e ligamento periodontal. Essas estruturas tem que estar funcionando de forma adequada.

Estruturas de suporte ou sustentação de uma PPR: dentes remanescentes, tecidos periodontais, fibromucosa e tecido ósseo alveolar.

  1. Dentes remanescentes – devem ser avaliados os aspectos qualitativos e quantitativos. Na análise qualitativa devem ser avaliados a integridade e a higidez, tanto da coroa (condições de estrutura do esmalte, existência de cáries e avaliação das restaurações existentes), quanto da raiz (implantação no tecido ósseo, condição pulpar ideal – vitalizado e caso esteja despolpado, a qualidade da endodontia). Um molar é melhor para suportar uma PPR, pois suas raízes são mais volumosas e suportam melhor as cargas. Também devem ser avaliadas a forma e posição coronária e radicular. A raiz é mais importante que a coroa numa PPR, logo, mesmo que a coroa seja modificada, a raiz deve ser preservada o máximo possível. Quando há suspeita de fragilidade radicular, o ideal é confeccionar uma prótese que respeite essa condição, e a exodontia só é feita em último caso.
  2. Tecidos periodontais – fibras principais colágenas, células e líquidos intercelulares.
  3. Fibromucosa – quanto menor a quantidade de dentes no arco, mais importante é a fibromucosa. O dente movimenta dentro do alvéolo 0,1mm e já a fibromucosa cede 1,3mm. A capacidade de cedência da fibromucosa é chamada de resiliência.

Resiliência – é a propriedade que os tecidos tem de variar sua forma ao serem submetidos a força de tração ou pressão (processo de mastigação). O dente se move no alvéolo devido às fibras periodontais. Quanto maior for a resiliencia da fibromucosa, pior é para a estrutura dental, pois irá causar sobrecarga.

Constituição: epitélio e córion (tecido conjuntivo fibroso)

Classificação em função do grau de resiliência:

  • Dura – não é muito favorável, pois pode ter reabsorção;
  • Compressível – há equilíbrio de quantidade de estrutura de tecido é mais fisiológica;
  • Flácida – menos fisiológica, pois a sobrecarga será maior.
  1. Tecido ósseo alveolar – possui a compacta ou cortical (osso denso, com lamínulas que recobrem osso alveolar e basal) e a esponjosa alveolar (abaixo da compacta óssea, apresentando aspecto de esponja.

Reabsorção óssea – fatores relacionados:

    • Anatômicos – tamanho, forma, densidade, espessura e característica do rebordo;
    • Metabólicos – fatores nutricionais e metabólicos;
    • Funcionais – intensidade, duração e freqüência das forças;
    • Protéticos – diversidade de técnicas, materiais, conceitos, princípios e práticas que são incorporadas às próteses.

Uma carga excessiva leva a diminuição da drenagem venosa, resultando no acúmulo de metabólitos que aumentam a atividade osteoclástica e levam a reabsorção óssea.

Forma de rebordo: o rebordo residual resulta da cicatrização do processo alveolar após a perda dos dentes.

  • Normal
  • Alto
  • Reabsorvido
  • Estrangulado
  • Lâmina de faca

Rebordos residuais mandibulares:

  • Horizontal
  • Descendente-distal
  • Ascendente-distal
  • Côncava

Introdução a Prótese Fixa – Princípios Biomecânicos Aplicados a Prótese Dentária (Atualizado com Imagens)

É com grande prazer que publico este resumo feito pela  Suzymille Sandes do 7º Período de Odonto. Espero que essa iniciativa dela seja tomada como exemplo para que todos possam colaborar também. Mais tarde publicarei imagens que ajudem no entendimento do texto.Boa Leitura!

Prótese é a ciência e arte que proporciona substitutos adequados para as porções coronárias de um ou mais dentes naturais perdidos e também as partes circunvizinhas, tendo por objetivo restabelecer a função, a estética, o conforto e a saúde do paciente.

Para ser considerada satisfatória, a prótese deve ter estética, função e longevidade.

Podem ser classificadas em: restaurações, coroas ou prótese parcial fixa.

  • Restaurações – são as chamadas inlay (quando não há envolvimento de cúspide) e onlay (quando há envolvimento de cúspide), quando é feito uma moldagem que é enviada para o laboratório para que a restauração seja confeccionada em porcelana ou resina laboratorial, em seguida ela volta para ser cimentada na boca do paciente com os cimentos resinosos.
  • Coroas – é colocado um pino ou um núcleo metálico fundido para poder fixar a coroa.
  • PRÓTESE PARCIAL FIXA – antes era chamada de ponte, é utilizada quando há vários dentes perdidos. Seus componentes são:
    1. Dentes suporte – são os dentes que sustentam ou suportam a prótese. Situam-se nos extremos da prótese.
    2. Dentes pilares – são dentes suportes, mas localizados numa área intermediária de uma prótese parcial fixa.
    3. Retentores – são elementos de uma prótese parcial fixa que unem os dentes suportes a parte suspensa da prótese (pôntico) e o retém no lugar. Pode ser uma restauração, uma coroa parcial ou total.
    4. Pônticos – é a parte suspensa da prótese parcial fixa que substitui os dentes naturais que foram perdidos.
    5. Conectores – partes de uma prótese parcial fixa que unem os retentores aos pônticos, um pôntico a outro ou um retentor a outro.

Área de ligamento periodontal: LEI DE ANTE – a área de inserção periodontal das raízes dos dentes de suporte deve ser maior ou igual que a dos dentes que serão repostos pela prótese.

Mas caso a diferença seja de 0,1, por exemplo, a prótese ainda pode ser feita, pois são considerados valores equivalentes, ou seja, se trata de uma situação limite. Caso o valor de inserção periodontal dos ponticos seja maior que o valor de inserção dos dentes suporte, a prótese não pode ser feita, caso contrario, esta pode fraturar ou ainda sobrecarregar os dentes suporte e levar a mobilidade dentaria.

O sucesso do tratamento protético depende de alguns fatores, tais como: a longevidade do trabalho protético restaurador; a saúde pulpar e gengival; e a satisfação do paciente.

Fases do tratamento: exame, diagnostico, planejamento e cimentação.

Preparo dental: seus princípios fundamentais são mecânicos, biológicos e estéticos.

  1. Princípios mecânicos – retenção, resistência ou estabilidade, rigidez estrutural e integridade marginal.

Retenção – é determinado pelo preparo dental, pois a restauração será submetida a forças de tração pelos alimentos. Logo, a retenção visa impedir o deslocamento da restauração no sentido axial do dente (vertical).

A retenção ocorre quando há contato entre as superfícies internas da restauração e as superfícies internas do dente preparado, essa retenção é chamada retenção friccional, que é obtida de acordo com três fatores:
o primeiro deles é a área do preparo, pois quanto maior for a altura da coroa clinica, ou seja, quanto maior for a area do preparo, maior será a retenção friccional, uma vez que a area de contato será maior;
o segundo fator que determina a retenção é a inclinação do dente no arco, pois, dentes com paredes mais paralelas são mais favoráveis a retenção (paredes axiais paralelas), entretanto, caso esse paralelismo seja exagerado, a cimentação será dificultada, pois o cimento não irá escoar adequadamente, podendo acarretar num desajuste oclusal ou cervical da restauração, logo, as paredes axiais devem ser paralelas, mas devem ter uma conicidade mínima de 6º para que a retenção não seja diminuída (a relação da conicidade com a retenção é inversamente proporcional, ou seja, quanto maior é a conicidade, menos é a retenção);

quando os preparos são muito cônicos há a necessidade de fazer retenções auxiliares como caixas, sulcos, canaletas e até mesmo pinos. Deve ter um único eixo de inserção e a retenção esta adequada quando numa vista de um olho só é possível ver todos os dentes preparados; o ultimo fator que determina a retenção é a textura superficial, que pode ser conseguida por meio de micro-retenções, uma vez que a cimentação consiste no agente cimentante entrar nas microrrugosidades do dente e da prótese e endurecer, unindo-as, entretanto, essas micro-retenções se forem muitas há a necessidade de fazer um acabamento do preparo, até mesmo para que não haja interferência na moldagem. 

v  Resistência ou estabilidade – visa prevenir a rotação da restauração quando estas forem submetidas a forças de cisalhamento ou compressão. As forças laterais fazem com que a restauração gire ao redor de um fulcro (apoio, alavanca). Há diversos fatores relacionados com a forma de resistência do preparo, tais como a magnitude e direção da força, pois forças de grande intensidade e lateralmente levam ao deslocamento da prótese (por isso a estabilidade em molares é mais critica que em pré molares e denes anteriores). Outro fator é a relação entre altura e largura do dente, pois, quanto maior for a altura do dente maior será a estabilidade, e caso se trate de um dente com coroa curta, há a necessidade de se confeccionar sulcos, canaletas ou caixas. O ultimo fator que determina a estabilidade é a integridade do dente preparado, pois um dente muito cônico oferece menor resistência, já quando as paredes são paralelas é mais favorável e caso a coroa seja curta faz-se canaletas ou sulcos.

v  Rigidez estrutural – o preparo deve permitir espaço suficiente para a quantidade adequada de material restaurador. Caso a redução axial seja deficiente, isso levará a um sobrecontorno da prótese.

v  Integridade marginal – quando a coroa estiver cimentada não pode haver nenhuma alteração na margem gengival. Os objetivos básicos são uma boa adaptação e uma linha mínima de cimento. Caso fique espaço entre dentes e restauração haverá retenção de biofilme e presença de cárie.

2.Princípios biológicos – preservação do órgão pulpar e preservação da saúde periodontal.

v  Preservação do órgão pulpar – a polpa pode ser agredida pelo calor gerado durante o preparo, pela profundidade deste preparo ou ainda por agressões químicas de acordo com o material utilizado. A proteção da polpa deve ser feita utilizando-se refrigeração durante o preparo, limpeza do preparo, não ressecar a dentina, usar pó de hidróxido de cálcio P.A e ainda aplicando flúor.

v  Preservação da saúde periodontal – o término do preparo pode ser supra ou subgengival, entretanto, o espaço biológico não deve ser invadido. O preparo excessivo invade o espaço biológico e o preparo insuficiente leva a um sobrecontorno. A adaptação da coroa é feita na região cervical. Quanto mais precisa for a adaptação marginal, menor será a espessura da película de cimento, o que leve a menor chance de solubilização, maior facilidade de higienização, menor retenção de placa, menor recidiva de carie e problemas gengivais, e tudo isso resulta numa maior longevidade da prótese.

  1. Princípios estéticos – estão diretamente realcionados aos princípios biológicos, deve estar atento a forma, cor e contorno da prótese.