NÚCLEO METÁLICO FUNDIDO

Os núcleos intra-radiculares ou de preenchimento são indicados para dentes que apresentam-se com a coroa clínica com certo grau de destruição e que necessitam de tratamento com prótese.

São elementos protéticos que permitem a reconstrução parcial ou total da porção coronária perdida, por meio de uma ancoragem intra-radicular (desobtura o conduto, é feita uma modelagem no interior do canal e o pino é colocado e fica uma parte em raiz e outra em coroa).

A indicação de um retentor jamais deveria ser para reforçar o dente. O pino não reforça a raiz, ao contrário, quando desobtura o canal também vai ser removida dentina, então vai ficar uma espessura mais fina do tecido e a resistência da raiz é reduzida.

Considerações biológicas:

Avaliação radiográfica – devem ser avaliados o comprimento, forma e inclinação das raízes, para observar se há uma grande quantidade de tecido, ver a espessura da parede, pra saber se elas sustentarão a colocação desse núcleo e se podem fraturar durante sua colocação.

  • Nível de inserção óssea – o núcleo deve estar inserido em osso;
  • Perda de estrutura coronária;
  • Qualidade do tratamento endodôntico – se está em condições favoráveis ou se precisa ser refeito.

Requisitos da endodontia satisfatória:

  • Ausência de sintomas clínicos – sensibilidade a percussão, fístula, edema;
  • Análise radiográfica – canal hermeticamente fechado, limite apical adequado, lâmina dura intacta, ausência de lesão.

Elementos constituintes:

  • Pino intra-radicular;
  • Reconstrução coronária.

Utiliza a resina acrílica duralay vermelha para modelar o pino no interior do canal, depois é reconstruída outra porção que corresponde à coroa. Então esse material é mandado para um laboratório para fundição, isso resultará no núcleo metálico fundido, que será cimentado no dente.

Esses núcleos podem ser confeccionados em diferentes ligas metálicas:

  • Ouro tipo III e IV;
  • Prata paládio;
  • Níquel crono – mais usada;
  • Cobre alumínio.

Indicação: restauração com grande destruição coronária, quando a colocação de uma coroa não funciona sem um núcleo para reter.

Vantagens:

  • São confeccionados conforme a configuração do canal (há pinos que já vem prontos, mas são “universais”, não tendo uma melhor adaptação);
  • Adaptam-se nos canais distribuindo as forças no seu longo eixo;
  • Podem ser confeccionados de forma direta ou indireta;
  • Melhor adaptação;
  • Menor película de cimento.

Desvantagens:

  • Maior número de sessões clínicas;
  • Erros na fundição, exigem a repetição de todo o protocolo dos núcleos diretos.

PRINCÍPIOS MECÂNICOS:

Fatores que influenciam na retenção dos núcleos metálicos fundidos:

  • Comprimento – deve ter cerca de 2/3 do remanescente dental; deve ter cerca de ½ do suporte ósseo da raiz (alguns dentes tem maior grau de reabsorção que outros: o mínimo é de ½ da distancia entre a crista óssea e o ápice radicular); o mínimo de material obturador que deve ficar no canal é de 3mm (se remover demais tem refazer o tratamento endodôntico); caso o comprimento do núcleo seja inadequado a coroa pode soltar, o dente pode fraturar, pois a concentração dos esforços será naquela região em que o pino ficou curto, então o núcleo não será retido pois não terá o suporte ósseo adequado; em dentes posteriores e multirradiculares a regra será aplicada na raiz mais volumosa e no outro canal é feito apenas uma pequena desobturação para reter o núcleo;
  • Conicidade – quanto maior for a conicidade, menor será a retenção e maior será a concentração de esforços (quando aumenta a conicidade precisa destruir mais tecido dental para acomodar o núcleo, logo, maior é o risco de fratura);
  • Diâmetro – o aumento do diâmetro não é uma maneira segura de aumentar a retenção, pois destrói e enfraquece a estrutura dental, alem disso, o aumento do diâmetro do pino  não contribui para o fortalecimento do dente; a ideia é que o pino apresente um diâmetro corresponde a 1/3 do diâmetro total da raiz. Se o diâmetro é aumentado, a espessura de tecido será mais fina, de forma que as paredes ficam mais frágeis e mais suscetíveis a concentração de forças e fratura. Se o diâmetro é diminuído não vai ter retenção suficiente e o pino sai com maior facilidade, pois terá uma maior espessura de cemento.

Os núcleos metálicos fundidos são obtidos por meio de uma técnica direta (modelagem) ou por meio de uma técnica indireta (moldagem).

Etapas clínicas:

  • Avaliação do remanescente dental;
  • Remoção do tecido cariado e material restaurador;
  • Preparo coronário;
  • Preparo do conduto (observar também na radiografia a inclinação das paredes para não perfurar a raiz; usa as brocas largo, Gates ou peeso);
  • Moldagem / modelagem;
  • Prova e cimentação.

Técnica de confecção: indireta (moldagem) – nessa técnica usa a silicona, leva no interior do canal e é obtido uma moldagem para obter um modelo que vai para o laboratório realizar a fundição.

Técnica direta (modelagem) – indicações:

  • Poucos elementos a serem modelados;
  • Canais não divergentes;
  • Pouco remanescente coronário.

Materiais:

  • Pino de resina – pinjet;
  • Resina duralay;
  • Vaselina (isolamento do conduto);
  • Pote dappen;
  • Pincel;
  • Brocas para preparo.

A vaselina serve para o isolamento do conduto, que é feito depois da desobturação, que é feita sem isolamento.

Reembasamento do pino – com duralay, usando a técnica de nealon (coloca liquido num pote dappen e pó no outro, então vai com o pincel, molha no liquido e pega o pó), e vai inserindo no canal até a cervical, quando chega na cervical insere o pinjet, e vai construindo uma coroa.

Modelagem e ajustes da porção coronária – deixa como se fosse um preparo para coroa total anterior.

Está satisfatório quando é possível ver todo o termino do preparo, quando o material começa a polimerizar vai tirando e colocando de volta para não sofrer contração dentro do canal e nao saia mais. No fim remove excesso de duralay do termino com a broca 4138.

Algumas vezes no processo de fundição o núcleo não vem perfeitamente adaptado, então tem que remover os excessos que ficaram, para saber onde estão os excessos utiliza o carbono liquido (pincela, espera secar e coloca no interior do canal, então algumas partes da tinta saem, deve remover esses excessos com ponta diamantada sobre essa porção que saiu, então pincela e insere no canal novamente para observar se todo aquele excesso foi retirado). Faz uma radiografia para ver se esta bem adaptado para cimentar com cimento de fosfato de zinco. Pra cimentar o núcleo, o canal deve estar totalmente seco, a cimentação pode ser feita com brocas lentulo (evita formação de bolhas) ou ainda o material pode ser distribuído por toda a porção radicular do pino e coloca no conduto, espera a presa inicial e remove os excessos para que o termino fique em dente.

Técnica indireta (moldagem) – indicações:

  • Condutos radiculares divergentes;
  • Múltiplas reconstruções coronárias em reabilitações extensas (a duralay necessita de maior tempo);
  • Destruição coronária extensa.

Materiais:

  • Moldeira;
  • Reforço de pino de metal ou resina;
  • Elastômero para moldagem (silicona leve);
  • Seringa de ponta fina;
  • Lentulo.

Por meio de moldagem confecciona núcleos bi ou tripartides; o material de moldagem é colocado com o auxílio da seringa fina no interior do canal (também tem que vaselinar). No modelo de gesso a técnica confecciona a modelagem e o pino. Primeiro cimenta uma porção e depois a outra.

CONTROLE QUÍMICO DO BIOFILME DENTAL

PERIODONTIA I

CONTROLE QUÍMICO DO BIOFILME DENTAL

 

O controle químico atua como coadjuvante do controle mecânico, mas NUNCA deve substituí-lo, pois, inicialmente é necessário que o biofilme seja desorganizado mecanicamente para que os agentes químicos possam agir sobre ele.

Indicações:

  • Falta da habilidade manual;
  • Alterações sistêmicas;
  • Pacientes hospitalizados;
  • Pré e pós operatório (no pré operatório irá possibilitar a realização de um procedimento mais seguro, diminuindo o risco de haver bacteremia, por exemplo).

O controle químico tem por objetivo:

  • Inibir aderência bacteriana -0 anti adesivos;
  • Parar ou retardar o crescimento bacteriano – antimicrobianos;
  • Remover biofilme estabelecido – removedores;
  • Alterar a patogenicidade do biofilme.

Ação dos agentes químicos:

  • Atividade antimicrobiana – antibióticos e antissépticos;
  • Ação não-enzimatica – alteração no metabolismo e na estrutura do biofilme;
  • Ação enzimática – dispersão da matriz intercelular do biofilme;
  • Interferência com adesão e agregação microbiana.

Critérios dos agentes químicos:

  • Especificidade – ser especifico para os microorganismos que causam a doença periodontal;
  • Eficácia;
  • Estabilidade – funcionar durante algum tempo;
  • Segurança – baixa toxicidade;
  • Substantividade – é o principal critério, consiste na propriedade que a substancia tem de se aderir a superfície da cavidade oral e continuar agindo durante algum tempo.

Meios de aplicação:

  • Administração sistêmica de antibióticos;
  • Administração local através de bochechos, dentifrícios, sprays e vernizes.

Agentes químicos:

  • Benzoato de sódio;
  • Composto fenólico;
  • Quartenarios de amônia;
  • Anti-tártaros;
  • Enzimas;
  • Extrato de ervas;
  • Biguanidas;
  • Fluoretos;
  • Sais metálicos.

DENTIFRÍCIOS – maior cooperação do paciente na escovação (pois o paciente só vai escovar se for com um creme dental), tem ação espumante e refrescante, sabor agradável e pode ser usado para a remoção de manchas. Além disso, servem como veículos liberadores de agentes terapêuticos, tais como o flúor, agentes dessensibilizantes, agentes anti cálculo e antimicrobianos.

Composição:

  • Abrasivo – 40 a 50%;
  • Umectante – 20 a 30%;
  • Água – 1 a 2%;
  • Detergente – 1 a 3%;
  • Flavorizante – 1 a 2%, é o que dá o sabor;
  • Preservante – 0,05 a 0,5%, evita que o produto perca a validade;
  • Agentes terapêuticos – 0,4 a 1%.

Os abrasivos dependem da dureza do agente de polimento, tamanho e forma das partículas, a silica e o dioxido de sílica aumentam a abrasividade, enquanto o carbonato de cálcio diminui a abrasividade.

Os agentes terapêuticos mais utilizados são os agentes anti-tártaro e enzimas, ervas, fluoreto estanhoso, sanguinarina.

Dentre os agentes anti-tartaro, destacam-se os pirofosfatos solúveis, sais de zinco (citrato e cloreto), difosfonatos e triclosan + citrato de zinco.

  • Pirofosfatos solúveis – estão presentes numa concentração de 1 a 5% e seu uso durante 2 a 6 meses reduz o índice de calculo em até 51%, tem sua ação aumentada quando associado ao gantrez. Sua ação ocorre por adsorção aos cistais de hidroxiapatita, o que acaba inibindo o crescimento de cristais maiores e mais organizados.

Classificação dos bochechos:

  • 1ª geração – reduzem o biofilme em 20 a 40%, substantividade reduzida (4 a 6h), uso de 4 a 6 vezes por dia;
  • 2ª geração – reduzem o biofilme em até 90%, elevada substantividade (12 a 18h) e uso 2 vezes ao dia.

TRICLOSAN – tem propriedades antiinflamatorias, analgésicas e antimicrobianas; baixa toxicidade e amplo espectro, substantividade moderada, pequena adsorção e efetividade aumentada quando associado aos sais de zinco e aos copolímeros. É bactericida e bacteriostático, pois alteram a permeabilidade celular, compatível com compostos aniônicos como o lauril sulfato de sódio, que é o detergente mais utilizado nos dentifrícios, tem efeito antiinflamatorio pois diminui as prostaglandinas e os leucotrienos. Para elevar sua substantividade pode-se associa-lo ao citrato de zinco ou ao copolímero de acido maleico (gantrez). Está presente em dentifricios e bochechos, numa concentração de 0,2 a 3%, e deve ser usado de 3 a 6 meses, reduzindo em até 51% a formação de biofilme. Já quando associado ao citrato de zinco e usado por 4 semanas, há a redução de 50% na formação do biofilme.

Ex: Colgate, plax

ENZIMAS – tem ação na matriz intercelular da placa, causando dispersão da matriz e digestão dos substratos. Tipos de enzimas: tripsina, quimiotripsina, carboxil peptidase.

ÓLEOS ESSENCIAIS – são feitos com essências naturais, tais como o mentol, timol e eucaliptol. Seu mecanismo de ação é por ruptura da parede bacteriana e inibição das enzimas bacterianas. Tem atividade antiinflamatoria e baixa substantividade. Existe na forma de spray, bochecho, pastilha e dentifrícios.

Por ser uma solução alcoólica, pode ter alguns efeitos colaterais, tais como a sensação de queimação, gosto desagragadável e manchamento dental.

COMPOSTOS FENÓLICOS – Listerine: é um bochecho de 1ª geração, que age na parede celular contra bactérias gram + e gram -, tem propriedades antiinflamatorias pois inibe a quimiotaxia dos neutrófilos e inibe a síntese de prostaglandinas, reduz a placa em 20 a 25% e devem ser feitos bochechos de 1min por 4 vezes ao dia.

QUARTENÁRIOS DE AMÔNIA – há o cloreto de cetilpiridínio (cepacol) e o cloreto de benzalcônio. Tem maior ação sobre microorganismos gram positivos e agem aumentando a permeabilidade celular causando assim a lise da parede microbiana. Também aumentam o conteúdo de cálcio no biofilme, o que diminue a calcificação, mas tem baixa substantividade e reduz a placa em até 30%, muito efetivo in vitro.

CLOREXIDINA – é o padrão ouro das substancias químicas para controle do biofilme. Se trata de uma biguanida de amplo espectro que atua sobre bactérias gram + e gram -, fungos e alguns vírus. É de 2ª geração, tem alta substantividade, tem ação anti placa e ação tópica. Seu mecanismo de ação se dá através da interferência na formação da película, alterando assim a aderência microbiana. Tem ação antimicrobiana direta, é bacteriostático (altera permeabilidade vascular) e bactericida (causa lise da parede bacteriana e coagulação do citoplasma).

Formas de apresentação:

  • Bochechos – 0,2 a 0,12% (periogard, por exemplo);
  • Verniz – usa para prevenir carie radicular;
  • Gel – 1, 0,2 e 0,12%;
  • Sprays – 0,1 e 0,2%, indicado para deficientes físicos/mentais, e a 0,2% tem efeito igual ao da solução de bochecho.

Quando usado por 24 horas, diminui a quantidade de microorganismos em até 85%, já quando usado por volta de 54 dias, diminui essa quantidade em até 95%.

Não induz resistência bacteriana; não apresenta toxicidade sistêmica; quando se faz um bochecho de 1min até 30% da solução fica retida na boca e quanto maior o tempo do bochecho, maior será a adesão e é inativada por compostos aniônicos (lauril sulfato de sódio).

Modo de uso:

  • escovar os dentes;
  • bochechar água;
  • bochechar clorexidina (se for a 0,12% bochecha 15ml, se for a 0,2% bochecha 10 ml, por 1min).

Efeitos colaterais:

  • Manchamento de dentes e lingua;
  • Manchamento de resinas;
  • Descamação e sensibilidade da mucosa;
  • Gosto desagradável;
  • Alteração no paladar;
  • Reações alérgicas.

Não se aprofunda no sulco gengival e dificilmente entra nas proximais quando as papilas estão intactas. O manchamento ocorre por desnaturação das proteínas da película (formação de sulfetos metálicos) ou pela reação com cetonas e aldeidos da dieta (chá, café e vinho).

 

O controle químico NUNCA deve substituir o mecânico; cada caso deve ser avaliado cuidadosamente para que esse controle seja feito adeqyadamente.

CONTROLE MECÂNICO DO BIOFILME DENTAL

O controle mecânico pode ser feito pelo profissional e também pelo paciente, mas na aula nos detemos ao controle mecânico feito pelo paciente.

Biofilme é uma comunidade microbiana, em uma matriz composta por polímeros extracelulares, aderidos a superfícies sólidas, conferindo as bactérias proteção contra agentes antimicrobianos – por isso que o controle mecânico é tão importante, pois ele desorganiza o biofilme possibilitando a ação desses agentes antimicrobianos.

O biofilme é o principal fator etiológico da doença periodontal, ele pode ser supragengival (causa gengivite, possui microorganismos aeróbios) ou subgengival (causa periodontite, possui microorganismos anaeróbios, gram – e proteolíticos, são eles: P. gingivallis, T. denticola, P. intermédia, A. actinomicetecomitans, entre outros).

O controle do biofilme visa a prevenção da doença periodontal, seus objetivos são:

  • Em caso de saúde – preservar o estado de saúde;
  • Em caso de doença estabelecida – recuperar a saúde;
  • No pós-tratamento – manutenção da saúde.

Importância do controle efetivo do biofilme:

  • Cicatrização pós-tratamento periodontal;
  • Diminuição da prevalência e incidência de doença periodontal e cárie;
  • Nivela resultados longitudinais do tratamento periodontal cirúrgico e não cirúrgico (estudos foram feitos onde um grupo de pessoas foi tratado com raspagem a céu aberto, ou seja, tratamento periodontal cirúrgico, e outro grupo foi tratado com a raspagem tradicional, então, com os pacientes fazendo um controle adequado desse biofilme, a longo prazo, não importava qual foi o tipo de tratamento, uma vez que os resultados dependeram do controle do paciente).

Métodos:

  • Realizados pelo cirurgião dentista;
  • Realizados pelo paciente – cabe ao CD ensinar, educar e motivar o paciente a utilizar os recursos de higienização necessários para um controle adequado do biofilme, tendo cuidados com a força excessiva, frequência, duração e sequencia da escovação.

Controle mecânico realizado pelo paciente: higienização bucal (escovação + meios auxiliares).

Controle mecânico realizado pelo profissional: RAR + profilaxia (biofilme também é raspado, principalmente o subgengival, pois devemos lembrar que o calculo não causa doença periodontal, e sim o biofilme). O CD pode fazer RAR, utilizar jato de bicarbonato, ultra som e profilaxia.

ESCOVAS DENTAIS – características desejáveis:

  • Acesso a todas as áreas;
  • Eficiência;
  • Facilidade de manipulação;
  • Cerdas macias e arredondadas (não machucam gengiva e não ferem o sulco gengival);
  • Preferência pessoal (não se pode ir logo mudando o paciente, deve-se adaptá-lo para que ele faça o que é certo, por isso leva-se em consideração sua preferência pessoal).

Não há superioridade entre marcas.

Escovas dentais – parâmetros:

  • Variação no tamanho e design;
  • Variação na dureza e arranjo das cerdas;
  • 25,4 a 31,8mm de comprimento (da parte ativa);
  • 7,9 a 9,5mm de largura;
  • 2 a 4 fileiras de cerdas;
  • 5 a 12 tufos de cerdas por fileira.

Tipos de escova:

  • Manual;
  • Elétrica.

Escova manual: pode ser de cerdas naturais (fraturam mais, sofrem contaminação e deformação) ou cerdas artificiais (são feitas de nylon, tem maior homogeneidade e elasticidade, maior resistência a fratura e menos contaminação). O cabo deve proporcionar uma empunhadura confortável e segura, se for mais longo é melhor para ser usado em posteriores, e quando é angulado melhora a higiene oral.

Características das cerdas: quanto ao comprimento podem ser do mesmo tamanho ou de tamanhos variados; quanto ao diâmetro podem ser duras (0,4mm), médias (0,3mm) ou macias (0,2mm) e quanto ao acabamento podem ser arredondadas ou achatadas.

Dureza das cerdas: é proporcional ao quadrado do diâmetro e inversamente proporcional ao quadrado do comprimento. As cerdas macias atingem o sulco gengival, causam menor agressão tecidual e atingem maior profundidade interdental. Já as cerdas médias e duras tem maior eficiência e durabilidade, mas são associadas a resseção gengival. As macias são mais indicadas, pois o paciente que usa uma escova dura, quando vai escovar a região do terço cervical, as cerdas acabam machucando a gengiva e ele acaba “esquecendo” de escovar essa região, que é justamente a região onde há maior acúmulo de biofilme, que causa a doença periodontal; só orienta a usar escova dura quando o paciente usa prótese, pois já que na prótese há metal e acrílico, a escova macia vai embora muito rápido.

Escova recomendada – depende de:

  • Morfologia dental;
  • Habilidade manual;
  • Preferência pessoal.

Características desejáveis:

  • Pelo menos 4 fileiras de cerdas;
  • Multitufada;
  • Cerdas de nylon, arredondadas e macias;
  • Fácil manuseio.

Escova elétrica: tem ação recíproca (vertical, horizontal ou combinações) ou ainda ação rotatória.

Indicações:

  • Falta de habilidade;
  • Crianças e pacientes deficientes;
  • Pacientes hospitalizados;
  • Durante tratamento ortodôntico;
  • Preferência pessoal.

Escovas ultra sônicas: removem biofilme supra e subgengival e removem manchas.

Escovas unitufos: técnica – 45° com a superfície dental, movimentos giratórios, movimentos vibratórios de dentro para fora do sulco, dente a dente.

Indicações:

  • Aumentar a eficiência na superfície lingual de molares e pré-molares inferiores;
  • Áreas de recessões localizadas;
  • Dentes com prótese;
  • Aparelhos ortodônticos;
  • Áreas posteriores;
  • Exposição de furca.

Métodos de escovação: Bass, Stillman, Stillman modificado, Charters e Fones.
http://www.tiradentes999.com.br/orientacoes-clinicas/6-metodos-de-escovacao.htm <<<< 

  1. Método de Bass – escova paralela ao plano oclusal e com as cerdas direcionadas para apical; ângulo de 45° com o longo eixo; pressão suave, movimentos vibratórios curtos e horizontais, nos anteriores a escova fica em pé por lingual ou palatina; levantar a escova e deslocá-la para a próxima sessão (sessão = 2 ou 3 dentes).

Vantagens:

  • Facilidade de aprendizagem;
  • Ação sob área cervical dos dentes;
  • Recomendada para a maioria dos pacientes.

Erros mais comuns:

  • Inclinação do cabo da escova para baixo (devido a fadiga do braço);
  • Colocação incorreta da escova (sobre gengiva inserida ou mucosa, por exemplo) ou colocar a escova horizontal e perpendicular ao longo eixo;
  • Movimentos vibratórios muito longos.
  1. Método de Stillman – escova num ângulo obliquo com o longo eixo (em direção apical); parcialmente sobre a gengiva/cervical dos dentes; pressão suave e lateralmente contra a gengiva; movimentos vibratórios curtos sobre os dentes.

Desvantagem: diminuição da eficiência devido a pressão intermitente…

  1. Método de Stillman modificado – escova posicionada semelhante ao método de Stillman; pressão lateral com movimentos vibratórios curtos; movimentação simultânea em direção coronária.

Características:

  • A parte lateral das cerdas, e não as pontas, é empregada;
  • Não penetra no sulco;
  • Recomendada para áreas com recessão (já que não provoca abrasão tecidual).
  1. Método de Charters – escova colocada no 1/3 cervical dos dentes / gengiva, com cerdas direcionadas para oclusal; movimentos curtos, circulares e horizontais; levantar a escova e deslocá-la para próxima sessão (3 dentes por sessão).

Indicações:

  • Áreas em período pós-operatorio;
  • Locais com recessão das papilas interdentais;
  • Para “massagem gengival”.
  1. Método de Fones – método circular; escova as duas arcadas ao mesmo tempo; dentes em oclusão; muito usado em odontopediatria.

“Nenhuma técnica de escovação mostrou-se claramente superior as demais no quesito remoção de biofilme”.

A eficiência da escovação depende de:

  • Habilidade manual;
  • Condições da escova;
  • Eficiência na utilização do método;
  • Motivação.

A escovação vigorosa pode causar:

  • Recessão gengival;
  • Lesões traumáticas;
  • Abrasões de tecidos duros;
  • Bacteremia transitória.

Controle do biofilme interproximal: a escova dental, independentemente do tipo e da técnica utilizada não remove completamente o acúmulo de placa na região interproximal, tanto no paciente saudável com no paciente tratado com ameias abertas.

MEIOS AUXILIARES:

  • Fio dental;
  • Fita dental;
  • Palitos;
  • Escovas interdentais;
  • Estimuladores interdentais;
  • Aparelhos para irrigação.

A seleção desses meios auxiliares depende de:

  • Intensidade dos contatos interdentais;
  • Características das superfícies proximais (rugosidade e principalmente a dimensão das ameias – ameias mais estreitas necessitam apenas do uso de fita ou fio dental, já as mais largas podem necessitar de escovas interdentais);
  • Preferência pessoal.

Fio/fita dental: é o meio mais recomendado para remover biofilme nas interproximais; se trata de um multifilamento de nylon (pode ser torcido ou não torcido, colado ou não colado, espesso ou ultra fino); há ainda o monofilamento de teflon, que não desfia.

Indicado para ameias estreitas, papilas intactas, contatos proximais normais ou estreitos e quando se tem habilidade manual.

A instrução deve ser lenta e repetida e ainda pode ser indicado o uso de passa fio ou porta fio. Deve-se lembrar que o fio dental serve para remover biofilme, e não para remover restos de comida.

Técnica:

  • Enrolar nos dedos médios (cerca de 30cm);
  • Confeccionar uma alça ou um laço;
  • Ultrapassar a área de contato com movimentos suaves e horizontais;
  • Laçar a proximal de um dente, contornar a papila e repetir o procedimento;
  • Movimentos verticais suaves e repetidos por 5 ou 6 vezes, desde o ponto de contato até o sulco gengival.

Flosser – é o fio dental elétrico, que causa 10000 vibrações/minuto e possui pontas de nylon.

Outros meios – são indicados para:

  • Ameias abertas;
  • Coroa clinica longa, com concavidades radiculares expostas;
  • Superfícies proximais irregulares;
  • Presença de próteses;
  • Aparelhos ortodônticos.

Aparelhos de irrigação: se trata de um fluxo xontinuo e intermitente (water pik), de uso subgengival, associado a agentes químicos.

Dentifrícios: promovem melhor cooperação do paciente (o paciente só escova os dentes com o creme dental), tem em sua composição agentes de controle químico.

Frequência de higiene bucal: a remoção completa da placa dura cerca de 24/48h, de forma que há a manutenção da saúde gengival, a situação clínica média é de escovação por cerca de 21 min/dia, que tem cerca de 40% de eficácia. Já quando se escova 2 vezes por dia, vai haver a manutenção da saúde, é o mínimo que o profissional pode pedir, pois dessa forma vai minimizar os erros de escovação do paciente, logo, a chance de restar biofilme é menos.

Motivação:

  • O profissional deve passar para o paciente os conhecimentos básicos da etiologia e patogênese da doença periodontal, pois o paciente deve saber que aquele biofilme que deve ser removido é o que causa a doença e que, se não for retirado, a doença vai evoluir;
  • Desenvolvimento da habilidade manual;
  • Conhecimento da responsabilidade para o sucesso do tratamento (o paciente deve ser informado que o sucesso do tratamento vai depender dele, pois se ele não remover esse biofilme adequadamente, não haverá nenhuma melhora);
  • Compreensão das vantagens da manutenção da saúde periodontal (é melhor manter a saúde do que ficar tratando a doença);
  • Demonstrar presença de fatores etiológicos;
  • Avaliar periodicamente o índice de higiene bucal;
  • Instruções individualizadas;
  • Repetição frequente das instruções;
  • Programas de auto instrução.

Considerar:

  • Personalidade do paciente;
  • Habilidade manual;
  • Características clínicas (recessões, comprimento da coroa clinica, ameias, próteses);
  • Intervalo para reavaliação e feddback.

É mais importante a frequência e a motivação da escovação do que o design, forma tamanho e outras características da escova.

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