Anatomia e Fisiologia do Periodonto ( por Suzymille Sandes)

Periodontia é a área odontológica que estuda as estruturas periféricas aos dentes naturais ou não, servindo para inserir os dentes aos ossos maxilares e manter a integridade da mucosa mastigatória. Em nível clínico, visa promover saúde por meio de procedimentos como: diagnósticos, prognósticos, tratamentos curativos e principalmente procedimentos preventivos.

O periodonto tem como principal função inserir o dente no tecido ósseo dos maxilares e manter a integridade da superfície da mucosa masdtigatória da cavidade oral. Ele forma uma unidade de desnvolvimento biológica e funcional, que sofre determinadas alterações com a idade e, alem disso, está sujeito a alterações morfologicas relacionadas a modificações funcionais e no meio bucal.

O periodonto é classificado em:

  • Periodonto de proteção – gengivas;
  • Periodonto de sustentação ou inserção – osso alveolar, cemento e ligamento periodontal.

Periodonto de proteção: é formado pelas gengivas (gengiva marginal, gengiva inserida e gengiva interdentária). A gengiva é a parte da mucosa mastigatória que cobre o processo alveolar e circunda a porção cervical dos dentes. Ela consiste de uma camada epitelial e um tecido conjuntivo subjacente, chamado lâmina própria.

  • Gengiva marginal – também chamada de gengiva livre, é aquela que está na margem dos tecidos gengivais, cobre em torno de 0,5mm a junção amelocementária. Seu limite externo é a ranhura gengival e seu limite interno é dentro do sulco gengival (no fim do sulco). A partir daí começa o espaço biológico (2,04mm) (onde ocorre a adesão inicial da gengiva ao dente). Já a face externa da gengiva livre é o epitélio oral interno que normalmente é paraqueratinizado; e sua face interna é no sulco, por isso também é chamada sulcular, que é um epitélio não queratinizado, mas que é passível de queratinização. Ainda há a área de transição entre as faces interna e externa, que é a chamada crista marginal, que deve ser delgada e fina. A silhueta da margem gengival acompanha a linha de colo oscilando entre curvas parabólicas côncavas e a papila interdental.

Sulco gengival – resulta da falta de aderência da gengiva marginal. É onde inicia os processos patológicos e não deve ser invadido, pois é um sítio crítico para reter biofilme e causar doenças periodontais. Quanto mais raso for o sulco, melhor é, já que há menos chance de haver retenção de biofilme. O sulco gengival tem duas paredes, sendo uma parede mole, que corresponde a face interna da gengiva marginal; e uma parede dura, que corresponde ao dente. Sua profundidade varia com a metodologia de sondagem, há a profundidade histológica, que é a real e corresponde a aproximadamente 0,69mm (geralmente arredonda-se para 0,5mm para não haver risco de invasão do espaço biológico); e há ainda a profundidade clínica, que corresponde a até 2mm nas faces livres e até 3mm nas faces proximais (devido a altura das papilas). A gengiva marginal é um pouco mais lisa que a gengiva inserida, que tem aspecto de casca de laranja.

Curvas parabólicas e zênite gengival – as curvas parabólicas sempre serão cônicas em relação a coroa e em sua extremidade mais alta está o chamado zênite gengival (topo). As curvas dos incisivos centrais devem estar na mesma altura das curvas parabólicas dos caninos, já as curvas parabólicas dos incisivos laterais devem estar 2mm abaixo das curvas dos centrais. Nos incisivos laterais o zênite gengival coincide com o centro da curva parabólica, já no caso dos incisivos centrais e caninos, os zênites são mais distalizados. Vale lembrar que a margem do lábio superior, durante o sorriso, deve encobrir a gengiva inserida dos incisivos centrais, já no caso dos incisivos laterais ela pode ser mostrada e no caso dos caninos pode ser mostrada levemente.

  • Gengiva inserida – localiza-se imediatamente apicalmente a gengiva marginal. Tem início na ranhura gengival (limite coronário) e termina na linha mucogengival (limite apical – marco anatômico para começar o fundo de vestíbulo). Está inserida principalmente ao periósteo do osso alveolar através de fibras do tecido conjuntivo. A gengiva inserida se confunde com a mucosa queratinizada do palato. Sua textura é uma superfície pontilhada, com aspecto de casaca de laranja, de pigmentação rosa-pálida (devido ao epitélio que é queratinizado e também ao conjuntivo, devido a pouca vascularização, e os vasos sanguineos são opacificados). Sua consistência é firme, uma vez que está inserida ao periósteo e ela é resiliente, ou seja, deforma quando comprimida, mas volta a sua forma normal imediatamente após ser retirada a força de compressão. A gengiva inserida não tem uma medida padrão e nem é constante, pois normalmente cresce com o tempo, mas nos dentes anteriores sua extensão é maior que nos posteriores (há menos osso alveolar para que a gengiva se insira).

A gengiva é fixa, inserida em osso, não tem mobilidade (a mobilidade existe na mucosa, que é mais avermelhada porque o epitélio é mais delgado e reflete os vasos sanguineos do conjuntivo subjacente). No epitélio gengival há as interdigitações dérmicas (ou papilas dérmicas), que servem para que haja um maior contato com o conjuntivo e para que todas as células sejam nutridas, dando também o aspecto de casa de laranja.

Espaço biológico – é constituído pelo epitélio juncional e inserção conjuntiva. O epitélio juncional é ligado ao dente por hemidesmossomas e geralmente mede 0,97mm; já a inserção conjuntiva é ligada ao dente através de fibras colágenas, o que lhe confere uma fixação bem maior e geralmente mede 1,07mm. Logo, o espaço biológico mede 2,04mm.

  • Gengiva interdentária – é a papila interdental, que preenche as ameias interdentárias. É constituída de gengiva marginal (há sulco gengival que, clinicamente, pode medir até 3mm) e gengiva inserida. O formato da papila é piramidal nos anteriores e em formato de sela nos posteriores (mais achatadas no sentido vestibulolingual). Há ainda o “col gengival” que é a depressão entre as papilas e está presente nas areas entre pré-molares e molares, de foma as papilas interdentárias nessas áreas possuem uma porção vestibular e uma porção palatina/lingual separadas pelo col gengival.. Há cerca de 1mm entre o contato proximal e a extremidade de gengiva.

Classificação do freio labial de acordo com sua inserção:

  • Inserção mucosa;
  • Inserção gengival;
  • Inserção papilar;
  • Inserção interdentária;

Espaço biológico: situado entre o fundo de sulco gengival e o osso alveolar.

  • Epitélio juncional – 0,97mm;
  • Inserção conjuntiva – 1,07mm;

Revestimentos epiteliais das gengivas: epitélio pavimentoso estratificado paraqueratinizado.

Células:

  • Queratócitos (predominam mesmo que o epitélio não seja queratinizado);
  • Melanócitos (responsável pela produção de melanina);
  • Células de Langerhans (participam de reações imunológicas, fagocitando Ag, degradando-os e apresentando-os aos linfócitos T);
  • Células de Merkel (sua função está ligada à sensibilidade à pressão);

Distribuição topográfica:

  • Gengiva inserida – epitelio paraqueratinizado;
  • Face externa da gengiva marginal – epitelio paraqueratinizado;
  • Face interna da gengiva ,arginal – epitelio não queratinizado, mas passível de queratinização;
  • Epitelio juncional – epitelio não queratinizado;
  • Col gengival – epitelio não queratinizado.

Epitélio juncional: possui de 10 a 20 camadas de células, não é queratinizado, suas células aumentam de número com o tempo. É mais largo na região da coroa e torna-se mais estreito em direção à junção amelo-cementária.

Inserção conjuntiva: localizada apicalmente ao epitélio juncional.

É composta das fibras gengivais:  Vide post sobre Fibras Gengivais clicando aqui
(Dento gengivais – crista gengival, que é em direção à margem gengival, projetam-se em forma de leque na direção do tecido gengival livre das superficies V, L e interproximal, estao embutidas no cemento da porção supralveolar da raiz);
Superfície Externa, que são perpendiculares ao eixo axial do dente; e as Periosteais, que fazem a trajetória em sentido apical sobre a crista óssea, V e L, para terminarem na gengiva aderida); há tambem as fibras circulares (aproximam a gengiva do dente, estao dispostas na gengiva livre e cirundam o dente em forma de anel); e as fibras transeptais (são vestibulo-linguais e mesio-distais e seguem um trajeto retilíneo sobre o septo interdentário e estao inseridas no cemento dos dentes adjacentes). As fibras gengivais e periodontais se une formando um plexo, mas quando o dente é afastado as fibras diminuem essa união. As células se encontram embutidas numa matriz, que é produzida principalmente pelos fibroblastos, tendo como principais componentes macromoléculas de hidratos de carbono (proteoglicanas) e proteinas (glicoprotenas).

Periodonto de sustentação ou inserção: é formado pelo ligamento periodontal, osso alveolar e cemento.

  • Ligamento periodontal – é um tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e celular, que circunda as raízes dos dentes e une o cemento radicular à lâmina dura ou ao osso alveolar propriamente dito. Em direção coronária ele é contínuo com a lâmina própria. O espaço do ligamento periodontal é o espaço compreendido entre raiz e osso alveolar, tambem chamado de espaço pericementário, onde há o LP, nervos, substância fundamental amorfa e células; tem forma de ampulheta e é mais estreito no nível do terço me´dio da raiz. A presença desse ligamento permite que forças produzidas durante a função mastigatória e outros contatos dentários sejam distribuidas e absorvidas pelo processo alveolar através do osso propriamente dito. Além disso, o LP também é essencial para a mobilidade dos dentes. O dente é unido aos osso por feixes de fibras colágenas que são divididas em: fibras da crista alveolar, fibras horizontais, fibras oblíquas, fibras apicais e fibras furcais. As fibras da crista alveolar impedem a extrusão dentária, ou seja, que o dente saia da boca. Já as fibras apicais e furcais impedem que o dente permaneça numa intrusão, dando sinal para que a musculatura haja. Lembrando que as fibras furcais só existem nos dentes multirradiculares. Outras fibras são as de Sharpey (estão mergulhadas no cemento e osso) e tambem os plexos (participam da erupção). As células presentes são fibroblastos, cementoblastos, osteoblastos, osteoclastos, macrófagos tissulares e os restos epiteliais de malassez. As fibras apicais são mais resistente as forças no sentida axial.
  • Osso alveolar – é a porção da maxila e da mandíbula que formam os alvéolos dos dentes e dão suporte a esses alvéolos. Desenvolve-se em associação om o desenvolvimento e a erupção dentária. O osso pode ser dividido em: osso compacto (osso alveolar propriamente dito, tambem chamado de lâmina dura, reveste o alvéolo e possuem canais por onde passam vasos sanguineos, linfáticos e fibras nervosas para o LP); e osso esponjoso (preenche as áreas entre os alvéolos e entre as paredes de osso compacto, ocupando a maior parte dos septos interdentais, esse osso contém trabéculas ósseas). No lado vestibular, o osso pode estar ausente na porção coronal das raízes formando o que se chama de deiscência, já quando há uma porção óssea na porção mais coronária dessa área, o defeito é chamado de fenestração. O osso ainda pode ser dividido em: osso mineralizado (chamado osso lamelar, pois possui lamelas) e osso medular (contem adipócitos, estruturas vasculares e células mesenquimais indiferenciadas). O osso alveolar renova-se constantemente em resposta às demandas funcionais. Durante esse processo de remodelação, as trabéculas ósseos são reabsorvidas e neoformadas. Fibras colágenas do LP se inserem no osso mineralizado que reveste a parede do alvéolo dentário.
  • Cemento – é um tecido mineralizado especializado que reveste as superfícies radiculares e, ocasionalmente, pequenas porções das coroas dos dentes. Não contém vasos sanguíneos e linfáticos, não tem inervação, não sofre remodelação, mas é formado continuamente ao longo da vida. Há 4 tipos de cemento: afibrilar, fibrilar, acelular e celular. As células responsáveis pelo crescimento cementário só estão presentes no terço apical.

Junção amelo-cementária: 5 a 10% possuem dentina exposta, 30% tem uma união topo a topo e 60 a 65% possui cemento sobreposto. Para se ter retração gengival é necessário que a junção amelo-cementária esteja exposta.

Orifícios da superfície radicular: forame apical, canais acessórios e canalículos dentinários.

Direção dos vasos sanguineos nos tecidos periodontais: sempre no sentido vertical.

Técnicas Anestésicas (por Suzymille Sandes) Ilustrado e Revisado por Rafael Nobre

Para uma melhor visualização das técnicas anestésicas, eu recomendo vejam as imagens dessa apresentação em Power Point : Técnicas Anestésicas Odontológicas – dr sormani.

Também antes ou durante a leitura do texto observem esse arquivo em PDF com imagens das técnicas https://resumosdosegunda.files.wordpress.com/2012/02/anestesia.pdf

O controle da dor em odontologia requer conhecimento abrangente do nervo trigêmeo. Ele é responsável pela maior parte da inervação sensitiva dos dentes, ossos e tecidos moles da cavidade oral. Ele tem três divisões: oftálmica, maxilar e mandibular.

Técnicas atraumáticas:

  • Agulha afiada;
  • Verificar o fluxo da solução (caso tenha ar na solução, este deve ser removido);
  • Temperatura da solução;
  • Posição do paciente (para que se afaste a mucosa e se observe as referências anatômicas);
  • Secar o tecido;
  • Antisséptico;
  • Anestésico tópico;
  • Conversar com o paciente;
  • Apoio firme das mãos;
  • Tencionar os tecidos;
  • Deixar seringa fora da visão do paciente;
  • Evitar tirar e colocar a agulha muitas vezes.

Agulha – não há necessidade de agulha longa para fazer bloqueio do nervo alveolar inferior. Quando faz a injeção, deve-se esperar um pouco para ver se a aspiração é negativa ou positiva.

Posição do paciente – mandíbula: plano oclusal do paciente paralelo ao plano horizontal. Maxila: plano oclusal do paciente formando um ângulo de 45º com o plano horizontal.

Tipos de anestesia:

  • Tópica
  • Infiltrativa (pequenas terminações nervosas na área do tratamento odontológico são infiltradas com a solução do anestésico local);
  • Bloqueio de campo (a solução do anestésico local é infiltrada próxima dos ramos terminais maiores, de forma que a área anestesiada será circunscrita, para evitar a passagem de impulsos do dente para o SNC)]
  • Bloqueio de nervo (o anestésico local é depositado próximo a um tronco nervoso principal, usualmente distante do local da intervenção operatória).

Técnicas de injeção maxilar – a maxila é um osso extremamente poroso.

  1. Bloqueio de campo – indicado para analgesia de um ou mais dentes ou área limitada da maxila.

Bloqueio do nervo alveolar superior anterior: irá anestesiar incisivos centrais, laterais e caninos. Referências – acompanham a concavidade da mucosa, distendendo-a (fundo de vestíbulo). Deve ser introduzido pelo menos 1cm da agulha e devem ser usados 2/3 do tubete por vestibular e 1/3 por palatina (para anestesiar a mucosa).

Bloqueio do nervo infraorbitário: para bloquear o nervo infraorbitário a agulha é introduzida mais profundamente usando como referência uma linha traçada entre a pupila e canino ou a linha do pré-molar. O nervo infraorbitário corresponde aos nervos alveolar superior anterior e alveolar superior médio. Muitas vezes a anatomia da maxila dificulta, por isso é importante ficar palpando para sentir a anestesia.

Bloqueio do nervo alveolar superior posterior (tuberosidade baixa): anestesia as raízes disto-vestibular e palatina do 1º molar superior e também 2º e 3º molares superiores. O ideal é qeu se utilize uma agulha longa, exige muita cautela pois a artéria maxilar é muito calibrosa e está próxima do nervo maxilar.

Bloqueio do nervo maxilar (tuberosidade alta): boca entreaberta para sentir o processo coronóide e para que este não atrapalhe a agulha durante a introdução. Introduz a agulha na região do 2º molar, pois se for na região de 1º molar vai tocar no processo zigomático da maxila e o anestésico vai ser depositado muito superficialmente. Essa técnica serve para remover qualquer dente da maxila.

Técnica do nervo nasopalatino: é uma injeção que pode ser muito traumática, anestesia a porção anterior do palato duro desde a face medial do 1ºPM direito até a face medial do 1ºPM esquerdo. Há duas técnicas: a primeira consiste numa injeção única, onde o anestésico é depositado na papila incisiva, entre os dois incisivos centrais; já a segunda técnica consiste em duas injeções, onde anestesia por vestibular e também entre os dois incisivos centrais passando pela papila incisiva e, em seguida, complementa com a papila incisiva.

Técnica do nervo palatino maior: menos traumático que o bloqueio do nervo nasopalatino; anestesia a porção posterior do palato duro e seus tecidos moles subjacentes. A referência é entre o 2º e 3º molar, a 1cm da gengiva; não se deve anestesiar muito próximo do dente porque a gengiva é inserida e não tem espaço para o anestésico. Pode causar necrose no palato devido a vasoconstricção e quando usa uma grande quantidade de anestésico. A agulha deve ser inserida perpendicular ao osso, e deve ser usada agulha curta e também um contonete para fazer compressão e causar isquemia a fim de diminuir a sensibilidade da punção do paciente.

Técnica de Carrea: bloqueia nervo maxilar através do forame palatino, a agulha é colocada completamente dentro do forame.

Técnicas de injeção mandibular – a mandíbula é um osso mais compacto, e deve-se ter noção do comprimento mandibular, altura, etc.

Bloqueio do nervo alveolar inferior e lingual: serão anestesiado os nervos alveolar inferior, incisivo, lingual (gengiva lingual) e mentoniano; a referência é o ponto de maior curvatura do ramo mandibular (trígono retrodistal), linha obliqua externa. A referência de altura será dada pelo plano oclusal dos dentes (cerca de 1cm acima do plano oclusal). A referência em profundidade é dada colocando a agulha na altura dos pré-molares do lado oposto; deve-se traçar uma bissetriz entre metade do ramo mandibular e 1cm acima do plano oclusal, quando as linhas se unirem é onde vai injetar o anestésico. Para diminuir a possibilidade de erro o ideal é fazer movimentos para anterior e posterior e ir injetando o anestésico. Pode ser usada uma agulha curta, pois se usa a agulha longa pode chegar até a parótida e anestesiar nervo facial. A profundidade dessa anestesia é de cerca de 2 a 2,5cm e a punção é feita na prega pterigomandibular. Penetra a agulha até alcançar a face interna do ramo da mandíbula, quando toca afasta cerca de 2mm e injeta. Os sinais são formigamento do lábio inferior (indica anestesia do nervo mentoniano), formigamento ou dormência na língua (indica anestesia do nervo ligual).

Técnica do nervo bucal: o nervo bucal anestesia a gengiva vestibular, é feita mais por vestibular, usando a metade do polegar como referência de altura e vai em direção a metade do ramo da mandíbula.

O nervo mentoniano NÃO serve para exodontia, pois ele inerva APENAS mucosa, lábio e gengiva, só serve para remoção de dentes se penetrar no forame mentoniano, pois nesse caso anestesia também o nervo incisivo.

O ideal é que se coloque o primeiro tubete por inteiro.

O bloqueio do nervo lingual pode ser feito na anterior na região de cada dente.

Técnica de Alcinos: para pacientes com limitações de abertira de boca;

Técnica de Gow Gates: produz anestesia sensitiva em quase toda a extensão do nervo mandicular.

A causa mais comum de insucesso na anestesia são os erros de técnica.

Imagens Complementares

Introdução ao estudo da Prótese Parcial Removível ( Revisado)

PRÓTESE PARCIAL REMOVÍVEL

 

Introdução ao estudo da Prótese Parcial Removível (por Suzymille Sandes)

 

Prótese é um artifício utilizado para repor uma parte perdida do corpo.

Prótese dentaria é a arte dental, ciência que trabalha com a reposição de tecidos orais visando restaurar e manter a forma, função, aparência e saúde oral.

Prótese parcial removível é a área da prótese destinada ao estudo da reposição dos dentes perdidos parcialmente e tecidos adjacentes através de uma prótese planejada para ser removida pelo individuo.

As próteses dentárias podem ser sustentadas por:

  1. Dentes (prótese fixa)
  2. Rebordo residual (prótese total)
  3. Implantes (prótese sobre implantes)
  4. combinação de ambos (prótese removível)

Tratamento de pacientes parcialmente edêntulos – fatores que contra indicam outra terapias (mas a PPR pode ser usada nesses casos):

  • anatomia local desfavorável (*comprimento do espaço edêntulo e *perda dos tecidos de suporte);
  • doenças sistêmicas descontroladas; (diabéticos descompensados e pacientes hipertensos)
  • altas dosagens de radiação (devido a osteorradionecrose, fazendo com que seja difícil a cicatrização óssea);
  • risco cirúrgico extremo;
  • fatores financeiros;
  • fatores comportamentais.

Fundamentos da terapia com prótese parcial removível:

  • preservação ou melhora da fonética;
  • estabilização ou aumento da eficiência mastigatória;
  • estabilização das relações dentarias;
  • melhora da estética.

Indicações da terapia com PPR:

  • área edêntula longa (quando há perda dental acentuada; a fibromucosa tem importância fundamental pois serve para sustentação da prótese na boca);
  • ausência de pilar dentário posterior ao espaço edêntulo (as forças de torque – que tendem a rodar ou virar objetos – são prejudiciais e levam a reabsorção óssea, mobilidade dentaria e falhas na restauração);
  • dentes periodontais com suporte reduzido;
  • rebordo residual com perda óssea excessiva;
  • considerações estéticas (quando há perda de suporte do lábio superior);
  • necessidade imediata de repor dentes extraídos (prótese parcial removível é aquela planejada para melhorar a estética até que uma forma definitiva de tratamento possa ser confeccionada).

Termos relacionados:

  • Pilar – é qualquer dente ou implante dental que suporta a prótese;
  • Retentor – é o dispositivo da prótese que prende a prótese ao pilar.

Logo, o PILAR está na boca do paciente, enquanto o RETENTOR está na prótese.

Retentores em PPR: a ação retentiva se dá por um efeito mecânico e esses retentores podem ser extracoronarios ou intracoronarios.

  1. Retentores extracoronários: são os chamados grampos, que possuem flexibilidade nos chamados braços de retenção, logo, a retenção se dá através de flexão. Os grampos são estruturas de metal que se posicionam sobre a superfície de uma coroa clinica. Eles possuem um braço de retenção e um de oposição. O de retenção está localizado uma área retentiva da coroa clínica e resiste ao deslocamento da prótese em direção oposta aos tecidos subjacentes moles e duros; já o braço de oposição está localizado em uma área não retentiva e serve como abraçamento ou elementos de estabilização para a prótese; os dois braços formam o retentor extracoronário. Caso só houvesse o braço de retenção, a força de pressão seria implantada na raiz e levaria a reabsorção.

Partes do grampo: braço de retenção, braço de oposição, apoio e corpo. (O braço de retenção desce abaixo do equador protético, que é a linha imaginária que divide áreas expulsivas de áreas retentivas). Na maioria das vezes o braço de retenção fica na vestibular e o de oposição fina lingual. O braço de oposição neutraliza o de retenção.

  1. Retentores intracoronários: está dentro dos contornos da coroa clínica, logo o uso deste tipo de retentor requer a fabricação de coroas. Para a retenção são utilizados encaixes, logo, requer um exato paralelismo dos sistemas de retenção (componestes – fêmea e macho); a retenção ocorre por atrito entre as paredes externas do componente macho e as paredes do componente fêmea. Na maioria das vezes os encaixes ficam nas extremidades e é necessário que o dente seja tratado endodonticamente.

Estrutura de funcionamento de uma PPR: o funcionamento se dá através de fatores biológicos e mecânicos.

Componentes biológicos de uma PPR – dente, rebordo, osso e ligamento periodontal. Essas estruturas tem que estar funcionando de forma adequada.

Estruturas de suporte ou sustentação de uma PPR: dentes remanescentes, tecidos periodontais, fibromucosa e tecido ósseo alveolar.

  1. Dentes remanescentes – devem ser avaliados os aspectos qualitativos e quantitativos. Na análise qualitativa devem ser avaliados a integridade e a higidez, tanto da coroa (condições de estrutura do esmalte, existência de cáries e avaliação das restaurações existentes), quanto da raiz (implantação no tecido ósseo, condição pulpar ideal – vitalizado e caso esteja despolpado, a qualidade da endodontia). Um molar é melhor para suportar uma PPR, pois suas raízes são mais volumosas e suportam melhor as cargas. Também devem ser avaliadas a forma e posição coronária e radicular. A raiz é mais importante que a coroa numa PPR, logo, mesmo que a coroa seja modificada, a raiz deve ser preservada o máximo possível. Quando há suspeita de fragilidade radicular, o ideal é confeccionar uma prótese que respeite essa condição, e a exodontia só é feita em último caso.
  2. Tecidos periodontais – fibras principais colágenas, células e líquidos intercelulares.
  3. Fibromucosa – quanto menor a quantidade de dentes no arco, mais importante é a fibromucosa. O dente movimenta dentro do alvéolo 0,1mm e já a fibromucosa cede 1,3mm. A capacidade de cedência da fibromucosa é chamada de resiliência.

Resiliência – é a propriedade que os tecidos tem de variar sua forma ao serem submetidos a força de tração ou pressão (processo de mastigação). O dente se move no alvéolo devido às fibras periodontais. Quanto maior for a resiliencia da fibromucosa, pior é para a estrutura dental, pois irá causar sobrecarga.

Constituição: epitélio e córion (tecido conjuntivo fibroso)

Classificação em função do grau de resiliência:

  • Dura – não é muito favorável, pois pode ter reabsorção;
  • Compressível – há equilíbrio de quantidade de estrutura de tecido é mais fisiológica;
  • Flácida – menos fisiológica, pois a sobrecarga será maior.
  1. Tecido ósseo alveolar – possui a compacta ou cortical (osso denso, com lamínulas que recobrem osso alveolar e basal) e a esponjosa alveolar (abaixo da compacta óssea, apresentando aspecto de esponja.

Reabsorção óssea – fatores relacionados:

    • Anatômicos – tamanho, forma, densidade, espessura e característica do rebordo;
    • Metabólicos – fatores nutricionais e metabólicos;
    • Funcionais – intensidade, duração e freqüência das forças;
    • Protéticos – diversidade de técnicas, materiais, conceitos, princípios e práticas que são incorporadas às próteses.

Uma carga excessiva leva a diminuição da drenagem venosa, resultando no acúmulo de metabólitos que aumentam a atividade osteoclástica e levam a reabsorção óssea.

Forma de rebordo: o rebordo residual resulta da cicatrização do processo alveolar após a perda dos dentes.

  • Normal
  • Alto
  • Reabsorvido
  • Estrangulado
  • Lâmina de faca

Rebordos residuais mandibulares:

  • Horizontal
  • Descendente-distal
  • Ascendente-distal
  • Côncava